Materiais simples se transformando em uma estrutura luminosa, com o título Empreender não é vender limonada

4,9 milhões de jovens brasileiros já empreendem. Quantos aprenderam isso na escola?

Todo mês de janeiro parece trazer o mesmo cenário: uma turma monta a feira de negócios da escola, vende brigadeiro, cata-vento e pulseira, conta quanto arrecadou e volta para a rotina. Chamam isso de empreendedorismo.

O empreendedorismo entrou de vez na pauta da educação básica. E ele é bem maior do que uma feira de vendas no fim do ano.

O tema deixou de ser opcional

Na Câmara dos Deputados, o PL 1385/25 cria a Política Nacional de Educação Empreendedora e Inovadora e insere o empreendedorismo como tema transversal nos currículos da educação básica, com projetos entre disciplinas, feira nacional e formação de professores. O projeto já passou pela Comissão de Educação e segue sua tramitação.

Não é um movimento isolado. Educação financeira e empreendedorismo estão aparecendo cada vez mais juntos na agenda do Congresso, como duas faces da mesma preocupação: preparar o jovem para lidar com dinheiro, sim, mas também para criar valor com ele.

E o país já empreende, queira a escola ou não. Segundo dados da PNAD Contínua tratados pelo Sebrae, o Brasil tinha 4,9 milhões de jovens donos de negócio no fim de 2025, um crescimento de cerca de 20% em pouco mais de uma década. Mais de 14% desses jovens ainda estavam matriculados em alguma instituição de ensino. Ou seja: parte dos seus alunos já empreende enquanto estuda.

Empreender não é vender

Aqui mora o mal-entendido mais comum. Empreender virou sinônimo de vender, de “ter uma ideia genial”, de abrir um negócio.

Não é.

Empreender é enxergar um problema real e resolver com os recursos que se tem. É decidir onde colocar um dinheiro curto, um tempo curto, uma energia curta. É testar, errar barato e tentar de novo. A venda é só a ponta visível de tudo isso.

E tem um dado que incomoda. A pesquisa GEM 2025, conduzida no Brasil pela Anegepe em parceria com o Sebrae, mostra que 71% de quem abriu um negócio o fez por falta de oportunidade de emprego. Empreender por necessidade, não por escolha. Ao mesmo tempo, 40% dos brasileiros adultos dizem sonhar em ter o próprio negócio, o segundo maior sonho do país, atrás só da casa própria.

Sonho grande, preparo pequeno. É exatamente essa distância que a escola pode encurtar.

É a mesma competência da educação financeira

Aqui está o ponto que a gente mais defende: educação financeira e educação empreendedora não são duas matérias diferentes disputando espaço na grade. São a mesma competência, vista de dois ângulos.

As duas pedem a mesma coisa do aluno: decidir bem com recurso escasso. Uma ensina a cuidar do dinheiro que entra. A outra ensina a criar o dinheiro que pode entrar. Quem só aprende a poupar entende metade da história. Quem só aprende a vender entende a outra metade. A vida cobra as duas juntas.

E as duas cabem, com naturalidade, dentro dos quatro pilares que organizam o material da FORME:

Sonhar é o começo de todo negócio. Não no sentido de “sonhar grande”, e sim de enxergar um problema que vale a pena resolver e dar nome a ele. Aluno sem objetivo próprio empreende o sonho de quem fala mais alto.

Fazer é tirar a ideia do papel com o que está à mão. Prototipar, testar numa escala pequena, ajustar. É também aqui que entra o simulador de investimentos da FORME: um ambiente onde o aluno decide onde alocar recurso, vê a consequência e aprende que todo negócio é, no fundo, uma decisão de risco e retorno.

Cuidar é o pilar que quase ninguém ensina. Empreender é conviver com o “não deu certo”. O aluno precisa aprender a separar o fracasso de um projeto do fracasso dele como pessoa, a lidar com a frustração e a não desistir no primeiro tropeço. Isso é autorregulação emocional, não planilha.

Multiplicar é entender que faturar não é lucrar, e que crescer exige guardar e reinvestir. É o pilar que liga o negócio de volta à educação financeira, fechando o ciclo.

O que a sua escola pode olhar

Antes de montar mais uma feira, vale a coordenação responder três perguntas:

Em que momento da trajetória o aluno vive a experiência de criar algo e entregar para alguém, e não apenas de vender no fim do ano?

A escola trata o “não deu certo” como parte do aprendizado ou como nota baixa no boletim?

O empreendedorismo aparece ligado à educação financeira, com conversa real sobre recurso, risco e retorno, ou aparece solto, como um evento isolado que acaba quando a feira acaba?

Essas respostas dizem muito sobre o que a escola está, de fato, formando.

Onde a FORME entra

A missão da FORME sempre foi desenvolver crianças e adolescentes capazes de planejar e conquistar metas e sonhos. Empreender é uma das formas mais concretas de fazer isso.

Por isso o material do infantil ao médio, alinhado à BNCC, trabalha os quatro pilares de forma contínua, com uma trilha que amadurece junto com o aluno. A assessoria pedagógica humanizada ajuda a escola a estruturar projetos paralelos, como uma feira empreendedora que seja de verdade pedagógica, e não só comercial. O simulador de investimentos dá ao adolescente um espaço seguro para praticar decisão e consequência. E a plataforma para famílias leva a conversa para dentro de casa.

A escola que ensina o aluno a cuidar do próprio dinheiro já faz muito. A que ensina também a criar valor com ele forma alguém que entende o jogo inteiro.

Educar para transformar.