Pergunte a um adolescente onde ele ouviu falar pela primeira vez em investir. Dificilmente a resposta vai ser o banco, o professor ou o pai.
Vai ser um vídeo. Alguém carismático, com milhões de seguidores, explicando em sessenta segundos como “fazer o dinheiro trabalhar por você”.
Esse alguém tem nome para isso: influenciador financeiro. E, para boa parte dos seus alunos, ele já é a autoridade que a escola não é.
Quando o conselho de investimento virou conteúdo de rede social
Nos últimos anos, a informação sobre dinheiro mudou de endereço. Saiu da agência bancária e do caderno de economia e foi parar no feed.
É ali que o jovem descobre o primeiro investimento, a primeira corretora, a primeira criptomoeda. Quase sempre por indicação de alguém que ele nunca viu pessoalmente, mas em quem confia.
O problema não é a rede social. O problema é que o conselho financeiro passou a competir por atenção com o mesmo algoritmo que entrega dança e meme. E o que prende atenção quase nunca é a cautela. É a promessa.
“Comecei com pouco e hoje vivo de renda.” “Esse ativo vai explodir.” “Quem não entrar agora vai se arrepender.”
Para um adulto com repertório, isso soa como alerta. Para um adolescente sem repertório, soa como oportunidade.
O que a CVM está tentando resolver
A questão chegou ao regulador. A Comissão de Valores Mobiliários colocou a supervisão dos influenciadores financeiros na sua Agenda Regulatória de 2026.
A ideia é revisar as regras para instituições que contratam esses criadores, atualizar as normas de divulgação nas redes e rever a norma do analista de investimentos, papel que muitos influenciadores usam para parecer credenciados.
O foco da CVM é um só: conflito de interesse. Deixar claro quando existe relação comercial por trás da indicação, e separar opinião de recomendação.
Isso ajuda. Mas resolve apenas um lado da conta.
Regra nenhuma controla o que o jovem faz com o conselho. Ela pode obrigar o influenciador a declarar que foi pago. Não pode ensinar o aluno a perguntar quem pagou.
E é exatamente essa pergunta que forma, ou não, um bom investidor.
A pergunta que falta: quem ganha quando o aluno segue o conselho?
A escola não precisa competir com influenciador. Não vai ganhar em carisma, em edição de vídeo nem em frequência de postagem. Nem deveria tentar.
O que a escola pode fazer é o que nenhum vídeo de sessenta segundos faz: ensinar o aluno a avaliar o conselho antes de segui-lo.
Isso começa com três perguntas simples, que cabem em qualquer aula:
De onde vem essa informação? A pessoa tem formação, registro e histórico, ou só seguidores?
Quem ganha se eu fizer o que ela está dizendo? Existe patrocínio, comissão ou link de afiliado por trás?
Isso serve ao meu objetivo ou ao objetivo de quem está falando?
Nenhuma dessas perguntas exige que o aluno entenda de mercado financeiro. Exige que ele pare antes de agir. E parar, num ambiente desenhado para o impulso, é a habilidade mais difícil de todas.
O que a escola forma que a regra não forma
É aqui que uma trilha estruturada de educação financeira faz diferença. Não como aula sobre “quais influenciadores seguir”, mas como formação de critério.
Na FORME, isso aparece nos quatro pilares.
No Sonhar, o aluno aprende a nomear o próprio objetivo. Quem sabe o que quer da própria vida não adota o sonho do influenciador que fala mais alto.
No Fazer, o simulador de investimentos coloca o aluno para decidir e viver a consequência num ambiente onde errar é barato. Ele entende a volatilidade antes de o dinheiro ser de verdade.
No Cuidar, trabalha-se a pausa. A distância entre ver o conselho e agir sobre ele. É o pilar que responde diretamente ao vídeo que promete ganho fácil.
No Multiplicar, o aluno descobre que crescimento real tem a ver com tempo, não com atalho. Quando ele entende isso, a promessa de enriquecer rápido perde o brilho sozinha. Sem precisar ser proibida.
O influenciador vai continuar lá. O critério é o que muda
A regulação pode tornar o influenciador financeiro mais transparente. Não vai tirá-lo do feed do seu aluno.
A diferença vai estar em quem chega nesse feed já sabendo perguntar “quem ganha com isso?”.
Esse repertório não se forma num evento isolado nem numa palestra de uma hora. Forma-se ano após ano, do infantil ao médio, com material alinhado à BNCC, professor preparado e família por perto.
É isso que a FORME ajuda a escola a construir. Porque formar um aluno capaz de decidir por conta própria é, no fim, o que significa educar para transformar.
