Em janeiro de 2026, o Brasil sancionou a Lei nº 15.325. Ela criou, na Carteira de Trabalho, a figura do “profissional multimídia”: quem cria, produz, edita, gerencia e publica conteúdo digital, inclusive publicidade em redes sociais.
Na prática, a lei reconheceu como profissão aquilo que boa parte dos seus alunos já sonha em ser.
Durante anos, “quero ser influenciador” foi tratado como fantasia de criança. Agora é uma carreira com respaldo legal. E isso reabre uma conversa que muita escola vinha adiando.
O sonho virou profissão. A conta, não.
Ser criador de conteúdo está entre as carreiras mais desejadas por crianças e adolescentes. Um estudo da Universidade de Wisconsin-Stout, feito com jovens dos Estados Unidos e da Noruega e divulgado em 2026, apontou que mais de 60% deles gostariam de ser influenciadores ou criadores de conteúdo. É um dado de fora do Brasil, mas qualquer gestor que converse com as turmas do fundamental 2 e do ensino médio reconhece o mesmo padrão aqui dentro.
A Lei 15.325/2026 não exige diploma, não cria conselho profissional e não reserva o mercado para ninguém. Ela apenas reconhece a atividade. Nasceu do PL 4.816/2023 e tirou do limbo jurídico uma profissão que já movimenta a economia há anos.
O que a lei não faz, e nem é o papel dela, é ensinar alguém a viver dessa renda.
E é exatamente aí que está o ponto que interessa à sua escola.
Por que a renda de criador é um problema pedagógico
Quase toda a educação financeira ensinada no Brasil pressupõe um salário fixo. Aquele que cai todo mês, no mesmo dia, no mesmo valor. A partir dele, a pessoa divide: tanto para as contas, tanto para guardar, tanto para gastar.
A renda de quem vive de criar conteúdo não funciona assim.
Ela é irregular. Um mês rende bem, os três seguintes rendem pouco. Ela é autônoma: não tem 13º caindo em dezembro, não tem férias remuneradas, não tem FGTS acumulando sozinho. Ela depende de plataformas que mudam as regras sem avisar. E ela mistura, na mesma conta, o dinheiro da pessoa e o dinheiro do trabalho.
Um adolescente que sonha com essa carreira e nunca ouviu falar em renda variável vai aprender da forma mais cara que existe. Vai gastar no mês bom como se todo mês fosse bom. E vai descobrir, no mês ruim, que ninguém guardou nada.
Repare que isso não é problema só de quem vira influenciador.
É a mesma lógica da renda de quem é autônomo, freelancer, prestador de serviço ou dono do próprio negócio. Cada vez mais gente vai ganhar a vida assim. O criador de conteúdo é só o rosto mais visível de um jeito de ganhar dinheiro que a escola ainda trata como exceção, quando já virou regra para uma parte grande da população.
Os quatro pilares aplicados a uma renda que oscila
Não se trata de aprovar nem de desaprovar o sonho do aluno. Trata-se de dar método a ele. E é aqui que a jornada da FORME se encaixa.
Sonhar. O sonho não é o problema. O problema é o sonho sem número. Sonhar, na FORME, é nomear o objetivo com valor e prazo. Querer “ser influenciador” é um desejo. Entender quanto custa viver disso, quanto tempo leva até dar retorno e o que fazer enquanto não dá, isso já é um plano. É a diferença entre uma lista de vontades e um projeto de vida.
Fazer. É onde o aluno pratica a decisão antes que ela custe caro. No simulador de investimentos da FORME, ele vê na prática o que acontece com o dinheiro quando a entrada sobe e desce, e aprende a separar o que é da pessoa do que é do trabalho. Errar ali é barato. Errar com a renda de verdade, não.
Cuidar. É o pilar da renda variável. É entender que o mês bom não existe para ser gasto inteiro. Ele existe para formar a reserva que atravessa o mês ruim. É a pausa entre receber e gastar, ainda mais necessária para quem não sabe quanto vai entrar no mês que vem.
Multiplicar. É compreender que construir leva tempo. Que número de seguidor não é patrimônio. E que quem transforma um pico de renda em algo que rende sozinho joga um jogo completamente diferente de quem gasta o pico e fica esperando o próximo.
Três perguntas para a coordenação
- Em que momento da trajetória o aluno ouve, pela primeira vez, que existe renda que não cai todo mês no mesmo valor?
- A educação financeira da escola prepara só quem terá salário fixo, ou também quem vai empreender, ser autônomo ou viver de um talento?
- Quando um aluno diz que quer ser influenciador, a escola responde com julgamento (“isso não é profissão de verdade”) ou com repertório (“ótimo, vamos entender a conta disso”)?
A terceira é a que mais importa. Porque o aluno vai perseguir esse sonho com a escola ajudando ou sem ela ajudando.
O papel da escola não é escolher a carreira do aluno
É prepará-lo para qualquer uma.
A missão da FORME é desenvolver crianças e adolescentes financeiramente estáveis, capazes de planejar e conquistar metas e sonhos. Não de desistir dos sonhos. De sustentá-los.
O aluno que quer viver de criar conteúdo não precisa de alguém dizendo que isso é bobagem. Precisa de uma escola que já tenha mostrado, desde cedo e de forma contínua, como se administra uma renda que oscila. Com material do infantil ao médio alinhado à BNCC, assessoria pedagógica humanizada e uma trilha organizada nos quatro pilares, dá para fazer isso dentro da rotina, sem transformar a escola em agência de carreira.
A profissão já virou lei. A pergunta que sobra é mais simples e mais antiga: a sua escola vai ensinar o aluno a lidar com o dinheiro que essa profissão traz, ou vai deixar que a vida ensine pelo caminho caro?
Educar para transformar.
