Apostas online chegam antes da educação financeira: o alerta que toda escola precisa ouvir

Antes de aprender a planejar o próprio dinheiro, boa parte dos adolescentes brasileiros já aprendeu outra coisa: como apostar.

Uma pesquisa recente, a TIC Kids Online Brasil 2025, mostrou que 53% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos já viram alguém divulgando jogos de apostas na internet. Entre os jovens de 15 a 17 anos, esse número sobe para 63%. Um levantamento do Ipsos vai além: 1 a cada 10 crianças e adolescentes de 10 a 17 anos já apostou dinheiro em 2025.

O impacto não é só financeiro. Segundo dados da Abmes, mais de um terço dos jovens brasileiros deixou de ingressar na faculdade em 2025 por causa de gastos com apostas. E outro estudo recente mostrou que quase metade dos jovens já apostou online só no primeiro trimestre de 2026, com mais de 1 em cada 6 apostando toda semana.

Esses números chegam antes da escola. E é isso que precisa mudar.

O problema não é só o dinheiro perdido

É fácil olhar para esses dados e pensar só em prejuízo financeiro. Mas o que está em jogo é mais profundo.

Apostar envolve impulso, recompensa imediata e ilusão de controle sobre o risco. São exatamente as habilidades que um adolescente ainda está desenvolvendo: paciência, tolerância à frustração, capacidade de esperar por um resultado que demora.

Quando a primeira experiência de um jovem com “investir dinheiro em algo incerto” vem de uma plataforma de apostas, ela chega sem nenhuma base de comparação. Ele nunca viu como funciona planejar uma meta, entender probabilidade de verdade ou lidar com uma perda pequena e recuperável.

A gente sabe que não é simples reverter isso só com um aviso ou uma palestra pontual. Esse tipo de comportamento se enfrenta com repetição, no dia a dia, desde cedo.

Por que a resposta não pode ser só proibir

Bloquear acesso, alertar sobre riscos e criar regras têm seu valor. Mas isso sozinho não ensina o que fazer no lugar.

Um adolescente que nunca praticou o hábito de guardar, planejar e observar o crescimento de algo ao longo do tempo tem menos repertório para reconhecer a diferença entre investir e apostar. Para ele, os dois podem parecer a mesma coisa: colocar dinheiro em algo incerto na esperança de ganhar mais.

É aqui que entra o papel da escola, e não só da família.

Os 4 pilares como resposta prática

A missão da FORME é desenvolver crianças e adolescentes financeiramente estáveis, capazes de planejar e conquistar metas e sonhos. Os quatro pilares do nosso material foram pensados justamente para dar ao aluno esse repertório antes que outra fonte, menos responsável, o faça primeiro.

Sonhar ensina o aluno a ter metas reais, de curto e longo prazo, com passos claros para chegar lá. Isso contrasta direto com a promessa de ganho rápido e sem esforço que domina o discurso das plataformas de apostas.

Fazer trabalha planejamento prático: orçar, guardar, tomar decisões com informação, não com impulso.

Cuidar é talvez o mais importante nesse contexto. É o pilar que desenvolve autorregulação emocional, tolerância à espera e consciência sobre impulsos, exatamente o que falta na primeira experiência de um adolescente com apostas.

Multiplicar mostra, na prática, como o dinheiro cresce de forma real e gradual, e não da forma inflada e ilusória de uma aposta.

Onde a tecnologia pode ajudar

O simulador de investimentos da FORME dá ao aluno um espaço seguro para testar decisões financeiras com cenários reais, de acordo com o próprio perfil de risco. Ele erra, aprende, ajusta e entende o que de fato significa arriscar dinheiro com intenção, e não com impulso.

Não é sobre proibir o contato do adolescente com risco financeiro. É sobre garantir que ele conheça a versão certa disso antes da errada.

O que a escola pode fazer a partir de agora

Se a exposição a apostas já chega antes dos 15 anos, a educação financeira e socioemocional precisa chegar antes disso também. Não como um projeto isolado no fim do ano, mas como parte da rotina, desde o infantil.

Sua escola já trabalha isso de forma estruturada, com material contínuo e suporte pedagógico? Ou o tema ainda aparece só quando um problema já apareceu primeiro?

Educar para transformar também é isso: chegar antes.