A nova Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da CNC, mostra o maior nível de famílias endividadas da série histórica. Para a escola, o dado é mais do que estatística: é diagnóstico — e é convite à ação.
Em março de 2026, o Brasil bateu um recorde que ninguém deveria comemorar: 80,4% das famílias brasileiras encerraram o mês com algum tipo de dívida. É o maior patamar já registrado pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), conduzida há mais de quinze anos pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O número, em si, choca. Mas o que ele revela quando olhado pela lente da educação é ainda mais desconfortável: a maioria dos adultos brasileiros nunca teve, ao longo de toda a sua vida escolar, uma única aula estruturada sobre como tomar decisões financeiras. E é nesse vácuo que se forma o problema que hoje aparece nas manchetes.
| 80,4% | das famílias brasileiras estavam endividadas em março de 2026 — recorde da série histórica da PEIC/CNC. |
| 29,6% | das famílias estavam com pelo menos uma dívida em atraso no mesmo período. |
| 12,3% | declararam que não terão condições de pagar suas dívidas em atraso — o chamado núcleo duro da inadimplência. |
O que a pesquisa realmente diz
A PEIC é o termômetro mais consistente que temos sobre a saúde financeira das famílias brasileiras. Ela é apurada mensalmente pela CNC desde 2010, com cerca de 18 mil entrevistas em todas as capitais. Por isso, quando esse indicador atinge um recorde, é prudente olhar para ele com atenção — não é ruído, é sinal.
Os dados de março trazem três leituras importantes:
- O endividamento subiu em todas as faixas de renda, com destaque para famílias que ganham acima de cinco salários mínimos — ou seja, não é um fenômeno restrito à base da pirâmide.
- O cartão de crédito segue como a principal modalidade de dívida, seguido pelo carnê e pelo financiamento de carro.
- Em média, 29,6% da renda familiar está comprometida com o pagamento de dívidas — quase um terço de tudo o que a família ganha sai antes mesmo de chegar.
Para a CNC, parte da explicação está em fatores estruturais: juros básicos da economia ainda em patamar elevado, inflação persistente em itens essenciais e uso crescente do crédito para cobrir despesas do dia a dia — alimentação, transporte, contas de casa.
Mas há uma camada que os indicadores não capturam diretamente, e que importa para quem está dentro da escola: o componente comportamental do endividamento.
A camada que ninguém mede: o comportamento financeiro
Um adulto que parcela uma compra impulsiva no cartão; uma família que descobre, no fim do mês, que gastou mais do que ganhou; um jovem que aceita o primeiro empréstimo consignado oferecido pelo banco do seu primeiro salário. Nenhuma dessas situações se resolve apenas com mais renda ou com juros mais baixos. Elas se resolvem — ou se previnem — com repertório.
Repertório para reconhecer um gatilho de consumo. Repertório para diferenciar uma necessidade de um desejo. Repertório para entender o que é juro composto antes de assinar a fatura, e não depois.
Educação financeira não é matemática com dinheiro. É a habilidade de reconhecer que toda decisão financeira é, antes de tudo, uma decisão emocional e comportamental — e que ela pode ser ensinada.
Esse é o ponto cego da política pública brasileira até bem pouco tempo atrás. E é exatamente onde a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) decidiu intervir.
Por que a BNCC tornou educação financeira obrigatória
Desde 2020, a educação financeira passou a ser tema transversal obrigatório na educação básica brasileira, do infantil ao ensino médio. A decisão não foi acidental: ela responde, justamente, a indicadores como os da PEIC.
A lógica é simples e poderosa: se o problema do endividamento adulto tem raízes comportamentais formadas na infância e na adolescência, é na escola — e apenas na escola — que se consegue alcançar uma geração inteira antes que o problema se instale.
Mas há uma distância grande entre uma diretriz curricular existir no papel e ela acontecer, de verdade, dentro da sala de aula. É aí que o tema costuma travar. Quem ensina? Com qual material? Em qual horário? Como avaliar? Como envolver as famílias?
O que a escola pode fazer — concretamente
Quando uma escola decide tratar educação financeira a sério, três coisas tendem a acontecer ao mesmo tempo:
1. O aluno desenvolve repertório socioemocional
Ao trabalhar planejamento, metas e tomada de decisão dentro de um currículo estruturado, a criança e o adolescente passam a aplicar essas competências em contextos da própria vida — desde a mesada até a primeira simulação de investimento. O efeito não fica restrito ao tema dinheiro: estende-se a autoconhecimento, autocontrole e visão de futuro.
2. A família é puxada para dentro da conversa
Educação financeira é um dos raros temas escolares em que o conteúdo necessariamente atravessa o portão da escola e chega à mesa de jantar. A criança que aprende sobre orçamento na quarta-feira pergunta sobre o orçamento da casa no sábado. Esse fluxo, quando bem mediado, aproxima a família da escola — e, em muitos casos, ajuda a própria família a reorganizar suas finanças.
3. A escola se diferencia no mercado
Em um setor cada vez mais competitivo, oferecer um programa estruturado de educação financeira deixou de ser opcional para se tornar diferencial concreto na decisão de matrícula. As famílias percebem o cuidado com formação integral — e respondem a isso.
Um ciclo que pode ser quebrado
O endividamento de 80% das famílias brasileiras é, ao mesmo tempo, uma fotografia do presente e um aviso sobre o futuro. Se a próxima geração entrar na vida adulta sem repertório financeiro, esse número não vai cair — vai se reproduzir.
A boa notícia é que a escola brasileira já tem o mandato (BNCC), o público (do infantil ao médio) e a janela de oportunidade (uma geração inteira entrando agora). O que ainda falta, em muitas instituições, é o ecossistema completo de implantação: material atualizado, suporte pedagógico real, plataforma para famílias, tecnologia que engaje o aluno e indicadores que mostrem ao gestor que aquilo está, de fato, gerando resultado.
É exatamente esse ecossistema que a FORME constrói, junto com escolas em todo o Brasil, há anos. Porque acreditamos que o caminho para mudar a estatística da próxima década começa, agora, na sala de aula desta semana.
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| FONTES Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) — março de 2026, CNC. CNN Brasil — “CNC: Endividamento das famílias atinge novo recorde e chega a 80,4%”. Base Nacional Comum Curricular (BNCC) — MEC, 2020. |