Por muitos anos, a escola particular brasileira teve um argumento de venda que nem precisava ser dito em voz alta.
“Aqui seu filho aprende mais do que na escola pública.”
Ninguém colocava isso no folder. Não era preciso. Estava implícito na mensalidade, na visita guiada, na conversa do portão.
O Ideb 2025 mostrou que esse argumento silencioso está perdendo força. E não porque a escola particular piorou muito. Foi porque ela parou.
O que os números mostram
Os resultados do Ideb 2025, divulgados pelo MEC e pelo Inep em 5 de agosto de 2026, mostraram um movimento que chamou a atenção da imprensa: a rede privada ficou estagnada, e a pública avançou.
Nos anos iniciais do ensino fundamental, a rede privada teve uma leve queda de 0,1 ponto e voltou à média de 7,1, o mesmo patamar de 2019. A rede pública chegou a 6,1.
Nos anos finais, a rede privada seguiu em 6,4, igual a 2019. A pública passou de 4,6 para 5,0.
No ensino médio, a rede privada recuou: de 6,0 em 2019 para 5,8 em 2025. A pública foi de 3,9 para 4,3.
Resultado: nos anos iniciais, a distância entre as duas redes, que era de 1,4 ponto antes da pandemia, caiu para 1 ponto.
É importante ser honesto com o dado. A diferença ainda é grande. Segundo a cobertura da Folhapress, ao fim dos anos iniciais o aluno da escola particular tem notas equivalentes a quase dois anos a mais de aprendizagem. No fim do ensino médio, a diferença em matemática passa de três anos.
Mas a tendência é o que interessa para quem decide o futuro de uma escola. E a tendência é de convergência.
O argumento que está perdendo força
Quando a família compara uma escola particular com a pública do bairro, ela está comparando custo com uma diferença percebida.
Se essa diferença encolhe, o custo fica mais visível.
Isso não acontece de uma vez. Acontece aos poucos, na família que começa a pesquisar a escola estadual de tempo integral que abriu perto de casa. Na família que tem dois filhos e faz a conta. Na família que ouve de um vizinho que “a pública melhorou muito”.
A escola particular que depende da média da rede para justificar a mensalidade está apoiada num número que não é dela. E esse número parou de subir.
A maioria das escolas particulares nem tem Ideb próprio
Aqui está o ponto que quase ninguém comenta.
A participação da escola particular no Saeb é facultativa. Parte da rede privada entra apenas por amostragem, e a escola que participa por amostra não recebe resultado individual. O dado dela vira média nacional, regional ou estadual.
Só tem Ideb calculado por escola quem participa por adesão, e isso exige decisão ativa da instituição.
Na prática, muitas escolas particulares não sabem onde estão. Sabem apenas onde está a média da rede. E hoje essa média está dizendo que a rede privada, em conjunto, está parada há seis anos.
Uma escola pode estar muito acima disso. Pode estar abaixo. Sem medir, ela simplesmente não sabe. E a família também não.
Três perguntas para a próxima reunião de direção
A gente sabe que avaliação externa gera desconforto. Mas a pergunta não é se a escola vai ser comparada. Ela já é, todos os dias, na cabeça da família. A pergunta é se a escola tem algo para mostrar quando isso acontece.
1. O que a escola mede de aprendizagem por conta própria, e compara ano a ano?
Não vale nota de boletim. Nota de boletim mede a prova que a própria escola fez. Vale avaliação diagnóstica com a mesma régua ao longo dos anos, adesão ao Saeb ou outro instrumento externo. Sem série histórica, não existe como provar evolução.
2. Que evidência a família enxerga sem que a escola precise explicar?
Dado de avaliação convence o gestor. A família costuma se convencer por outro caminho: o que ela vê mudar no filho em casa. Autonomia, organização, capacidade de argumentar, jeito de lidar com dinheiro e com frustração. Se a escola não consegue nomear o que desenvolve, a família fica só com o boleto na mão.
3. Onde a sua escola perde força ao longo da trajetória?
O Ideb mostra a rede privada caindo justamente no ensino médio. Vale olhar com lupa para os próprios dados: em que série o desempenho cai, em que série a matrícula cai, e se as duas quedas acontecem no mesmo lugar. Costumam acontecer.
Diferencial que a média não copia
A convergência entre as redes é uma boa notícia para o país. Para a escola particular, ela é um aviso: o diferencial automático acabou.
O que sustenta o valor daqui para frente é aquilo que a escola constrói e consegue demonstrar. Proposta pedagógica clara, contínua do infantil ao médio, com resultado que aparece no aluno.
É nesse ponto que a FORME trabalha junto com a escola. O material de educação financeira socioemocional e comportamental, alinhado à BNCC (onde o tema é obrigatório desde 2020), cobre do infantil ao médio nos quatro pilares Sonhar, Fazer, Cuidar e Multiplicar. É o tipo de conteúdo que a família percebe em casa, porque muda comportamento e não só nota.
A assessoria pedagógica humanizada também apoia projetos paralelos da instituição, como estruturar uma rotina de avaliação diagnóstica ou organizar a comunicação de resultados com as famílias. E a plataforma para famílias leva cursos gratuitos e certificados para dentro de casa, aproximando quem decide a rematrícula.
A média da rede parou em 2019.
A sua escola não precisa parar junto. Mas vai precisar mostrar que não parou.
Educar para transformar.
Fontes:
- Folhapress via Notícias ao Minuto: Escolas privadas ficam estagnadas no Ideb e reduzem abismo com a rede pública (05/08/2026)
- Inep: Ideb avança em todas as etapas da educação básica
- Inep: Perguntas frequentes sobre o Saeb
