Em 30 de junho, a Comissão de Educação do Senado aprovou um projeto de lei que pode mudar de vez o lugar da educação financeira dentro da escola brasileira. O texto prevê a inclusão obrigatória do tema nos currículos de todo o ensino fundamental e médio, em todas as séries, em todo o país.
O projeto ainda precisa passar pelo plenário do Senado e, se aprovado, seguir para sanção presidencial. Mas o sinal já está dado: o que hoje é recomendação da BNCC pode, em breve, virar obrigação com força de lei.
Para uma gestora escolar, essa notícia não deveria soar como mais uma pauta distante de Brasília. Deveria soar como um prazo.
O que o projeto muda, na prática
De autoria da deputada federal Any Ortiz (Cidadania-RS) e relatado pela senadora Teresa Leitão (PT-PE), o texto segue o mesmo modelo que a BNCC já adotava desde 2020: educação financeira como tema transversal, e não como disciplina isolada.
Na prática, isso significa que o conteúdo pode ser trabalhado dentro de Matemática, Geografia, História, Sociologia e outras áreas, sem exigir uma nova matéria na grade nem inchar a carga horária.
Uma emenda da relatora também ampliou o alcance do projeto. Além de planejamento financeiro e consumo consciente, os alunos poderão ter contato com noções de previdência, tributos e seguros, temas que hoje praticamente nenhum brasileiro aprende na escola, e que a maioria só vai enfrentar, sem preparo, na vida adulta.
Por que isso é maior do que parece
A BNCC já tornou a educação financeira um tema contemporâneo transversal obrigatório em 2020. Na teoria, toda escola do país já deveria estar trabalhando isso.
Na prática, “tema transversal recomendado” e “conteúdo previsto em lei federal” são coisas muito diferentes para uma escola. O primeiro depende de iniciativa própria. O segundo vira exigência, cobrança e, eventualmente, parte da avaliação da qualidade de ensino da instituição.
Se o projeto avançar no plenário e for sancionado, escolas que já tratam o tema com seriedade vão estar simplesmente cumprindo o que já faziam. Escolas que ainda tratam o assunto como extracurricular esporádico vão precisar correr atrás, sob pressão de prazo e sem tempo de estruturar algo consistente.
Onde a FORME entra nessa conversa
A FORME existe justamente para que nenhuma escola precise correr atrás de última hora quando esse tipo de exigência chegar.
O trabalho é estruturado em torno de quatro pilares que dão sentido pedagógico ao tema, do infantil ao médio:
Sonhar. Antes de ensinar sobre dinheiro, é preciso ensinar o aluno a identificar metas e desejos reais, a base de todo planejamento.
Fazer. É o momento de colocar em prática: orçamento, escolha, entendimento de consequência.
Cuidar. A relação emocional com o consumo e com o dinheiro, um recorte socioemocional que poucos currículos tradicionais conseguem alcançar.
Multiplicar. A etapa mais avançada, onde entra a lógica de investir e fazer o dinheiro trabalhar com propósito, algo que o próprio projeto de lei já sinaliza ao incluir previdência e planejamento de longo prazo.
Esses pilares não foram pensados para responder a uma lei específica. Foram pensados para formar, de verdade, crianças e adolescentes financeiramente estáveis, capazes de planejar e conquistar metas e sonhos. A eventual obrigatoriedade legal só reforça que essa direção já estava certa.
O que a gestora escolar pode fazer agora
Esperar a sanção presidencial para só então pensar em estrutura pedagógica é a decisão mais arriscada que uma escola pode tomar diante desse cenário. Projetos de lei levam tempo, mas quando viram exigência, a cobrança costuma vir rápido, sem período de adaptação generoso.
O caminho mais seguro é o oposto: tratar a educação financeira como parte permanente da formação do aluno, com material didático alinhado à BNCC, apoio pedagógico real para o professor que vai aplicar o conteúdo em sala, e uma tecnologia que aproxime o aluno da prática, como um simulador de investimentos onde ele testa decisões conforme seu próprio perfil, sem risco real envolvido.
Isso não é sobre correr atrás de uma lei. É sobre estar pronta antes dela existir.
Educar para transformar, antes que a lei obrigue
O projeto aprovado no Senado é, acima de tudo, um reconhecimento tardio de algo que já deveria ser óbvio: formar cidadãos capazes de lidar com dinheiro não é luxo pedagógico, é responsabilidade básica da educação básica.
Enquanto o texto segue seu caminho até o plenário e, quem sabe, até a sanção presidencial, a pergunta que fica para cada gestora escolar é direta: sua escola vai esperar a lei chegar, ou vai decidir, agora, do lado de quem já educa para transformar?
Fonte: aprovação da Comissão de Educação do Senado Federal em 30/06/2026, projeto de autoria da deputada federal Any Ortiz (Cidadania-RS), relatado pela senadora Teresa Leitão (PT-PE).