Uma pesquisa recente feita com jovens de 18 a 24 anos trouxe um número difícil de ignorar: 42% da Geração Z afirma que sua saúde mental é muito afetada pela vida financeira. É o índice mais alto entre todas as gerações consultadas, à frente até dos millennials, que vivem a rotina de contas, aluguel e cartão de crédito há bem mais tempo.
Outro levantamento, feito pela CNDL em parceria com o SPC Brasil, mostra que 47% dos jovens dessa mesma geração não controlam suas próprias finanças. Não por falta de interesse. Os motivos mais citados são não saber como fazer isso, falta de hábito e, em muitos casos, simplesmente nunca ter aprendido.
Juntos, esses dois números contam uma história só: uma geração inteira chegando à vida adulta preocupada com dinheiro, mas sem as ferramentas emocionais e práticas para lidar com ele.
O que os números escondem
Vale olhar além da média. A mesma pesquisa mostra que 64% da Geração Z considera estabilidade financeira sua prioridade número um, acima até de crescimento profissional e qualidade de vida. E 55% acham que a vida adulta é bem mais difícil do que imaginavam.
Isso não é sobre uma geração desorganizada ou imatura. É sobre jovens que cresceram cercados por consumo digital, comparação constante nas redes e um custo de vida que não bate com o salário de entrada, mas que nunca tiveram, na escola, um espaço estruturado para aprender a lidar com isso antes de precisar lidar com isso.
A conta chega de qualquer jeito. A pergunta é se ela chega para alguém preparado.
Por que isso é assunto de escola, e não só de casa
É tentador pensar que educação financeira é tema de família. Mas a pesquisa mostra algo mais profundo: o problema não é só não saber poupar. É a ansiedade, a sensação de atraso, a dificuldade de tomar decisões sob pressão emocional.
Isso é comportamento. É regulação emocional. É exatamente o território da educação financeira socioemocional, que trata dinheiro não como matéria isolada, mas como parte do desenvolvimento humano do aluno.
Quando a BNCC trouxe a educação financeira como tema transversal obrigatório, em 2020, o objetivo nunca foi ensinar planilha para criança de sete anos. Era formar, ao longo de toda a trajetória escolar, alguém capaz de sonhar com metas, agir com consistência e cuidar das próprias emoções diante do dinheiro. O resultado, quando isso não acontece, está nos números de 2026.
Os 4 pilares como resposta, não como slogan
É por isso que a FORME organiza sua proposta pedagógica em quatro movimentos que caminham juntos: Sonhar, Fazer, Cuidar e Multiplicar.
Sonhar é dar ao aluno a chance de imaginar um futuro financeiro concreto, e não abstrato. Adolescentes que dizem que a vida adulta é “mais difícil do que imaginavam” muitas vezes nunca tiveram a chance de desenhar, com calma, o que essa vida adulta realmente significa.
Fazer é sair da teoria. Planejar metas pequenas, testar decisões, errar em ambiente seguro, antes que o erro tenha consequência real.
Cuidar é justamente o pilar que a pesquisa da Geração Z escancara. Cuidar da relação emocional com o dinheiro, da ansiedade, da comparação social, do impulso de consumo. Sem isso, qualquer conteúdo técnico sobre finanças fica pela metade.
Multiplicar é entender que dinheiro também é ferramenta de crescimento, não só de sobrevivência. É aqui que entram conceitos como investimento e planejamento de longo prazo, de forma acessível e progressiva.
Um simulador de investimentos, por exemplo, pode ser uma forma concreta de aplicar o pilar Multiplicar na prática: o aluno testa cenários, entende perfis de risco e começa a enxergar dinheiro como algo que se planeja, não como algo que simplesmente falta ou sobra.
O momento de agir é antes da faculdade, antes do primeiro salário
Um dos dados mais reveladores da pesquisa é que 80% da Geração Z já deixou de fazer algo importante por falta de dinheiro, mais de uma vez. Esse tipo de frustração recorrente tem raiz emocional, não só financeira. E raiz emocional se trabalha cedo, com constância, dentro da rotina que a criança e o adolescente já vivem: a escola.
Esperar o aluno chegar à vida adulta para começar essa conversa é como tentar consertar um telhado no meio da tempestade. A prevenção, aqui, tem nome: currículo estruturado, começando na educação infantil e seguindo, de forma progressiva, até o ensino médio.
O papel da escola nessa virada
Gestoras e gestores escolares não precisam se tornar especialistas em saúde mental ou em finanças pessoais. Precisam de um programa que já traga essa integração pronta: material didático alinhado à BNCC, apoio pedagógico para a equipe e ferramentas que conversem com a rotina real da escola, sem sobrecarregar quem já tem a agenda cheia.
É esse o papel do ecossistema que a FORME constrói junto com as escolas: uma jornada contínua, do infantil ao médio, que trata dinheiro como parte do desenvolvimento emocional do aluno, e não como um conteúdo isolado de uma aula por semestre.
A missão por trás disso é simples de dizer e difícil de entregar sozinho: formar crianças e adolescentes financeiramente estáveis, capazes de planejar e conquistar metas e sonhos. Os números de 2026 mostram o custo de não fazer isso. Cabe à escola decidir se quer ser parte da mudança antes que esse número apareça também na próxima geração.
Educar para transformar não é frase de efeito. É o convite para que sua escola comece essa conversa agora, com quem ainda está em tempo de aprender antes de precisar lidar sozinho com a pressão que os números mostram.
