Seu aluno de dezessete anos já tem conta digital, já recebe mesada por Pix e, em pouco tempo, vai abrir o mesmo aplicativo do banco e encontrar um botão convidando ele a comprar Bitcoin ou Ethereum. Sem sair do app. Sem burocracia. Sem ninguém perguntando se ele sabe o que está fazendo.
Duas pesquisas divulgadas em 2026 mostram que isso não é hipótese, é comportamento em curso. E revelam também um problema que nenhuma das duas resolveu: o entusiasmo pela criptomoeda chegou antes da compreensão do que ela realmente é.
A cripto virou parte do aplicativo do banco
A 2ª Pesquisa Nacional de Criptomoedas, realizada pela Paradigma Education em parceria com o Datafolha, com 2.004 entrevistados em 137 municípios em maio de 2026, mostrou que 17,2% da população brasileira, quase 29 milhões de pessoas, possui ou já possuiu ativos digitais. O conhecimento sobre o tema subiu 10,1 pontos percentuais em um ano, chegando a 66,4% dos brasileiros.
O dado mais revelador não é sobre quem já investe. É sobre como a pessoa chega até o investimento. Entre quem tem criptoativos, 83% dizem que a principal porta de entrada foi o aplicativo do próprio banco. Não uma corretora especializada, não uma pesquisa aprofundada. O banco que a família já usa para pagar boleto e fazer Pix.
Uma segunda pesquisa, o Panorama do Investidor Brasileiro (MB | Mercado Bitcoin em parceria com o Opinion Box, mais de mil investidores ouvidos ao longo de abril de 2026), traz o recorte que mais interessa à escola: o interesse por criptoativos cai conforme a idade sobe. Mais da metade dos jovens de 18 a 29 anos que ainda não investem pretende entrar no mercado. Entre quem tem mais de 50 anos, esse número cai para 41%. Na própria base de clientes do Mercado Bitcoin, 23% já têm entre 18 e 29 anos.
Ou seja: quem sai da escola hoje entra, em poucos anos, exatamente no grupo mais propenso a investir num ativo que a maioria ainda não sabe explicar direito.
O entusiasmo chegou antes do entendimento
Essa é a parte que a escola não pode deixar passar batido. A mesma pesquisa do Mercado Bitcoin encontrou que 62% dos entrevistados têm dificuldade com os termos e conceitos do universo cripto. Só 11% consideram a linguagem do setor clara em todos os aspectos. Blockchain, halving, staking: para a maioria, ainda soam como um idioma estrangeiro que ninguém ensinou antes de pedir para investir nele.
O problema não desaparece depois que a pessoa já investiu. Apenas 22% dos investidores brasileiros reconhecem o Bitcoin como o ativo de maior valorização da última década, mesmo ele tendo saído de cerca de R$ 1.605 para R$ 398.729 em dez anos. Entre quem já tem criptoativos na carteira, esse reconhecimento sobe para 59%, mas ainda deixa quatro em cada dez investidores sem entender direito o próprio investimento que fizeram.
O sentimento predominante também chama atenção. Oito em cada dez investidores dizem não se arrepender de ter entrado no mercado. O arrependimento mais comum entre eles, citado por 44%, é não ter começado antes. É a lógica de “quem chegou primeiro ganhou mais”, que pressiona decisões rápidas justamente no momento em que menos se entende o que está em jogo.
Na pesquisa da Paradigma Education, a maior barreira para quem conhece cripto mas nunca investiu também não é falta de interesse. É a complexidade da tecnologia (77%) e a falta de informação (42%). O interesse existe, e é grande. O repertório para decidir com critério, não.
O que a escola pode fazer antes do primeiro toque no aplicativo
A FORME não existe para ensinar aluno a comprar criptomoeda. Ativo de alta volatilidade não é conteúdo de sala de aula, é decisão que cada família e cada adulto toma com a própria cabeça, no seu próprio tempo. Mas existe uma diferença enorme entre “a escola não fala sobre isso” e “a escola prepara o aluno para o dia em que isso chegar sozinho, pela tela do celular”.
Porque vai chegar. Sem convite, sem aviso, dentro do mesmo aplicativo em que ele já recebe a mesada.
O que a educação financeira comportamental consegue formar, muito antes de qualquer ativo específico, é o critério para decidir. E é exatamente esse o papel dos quatro pilares que sustentam a jornada da FORME do infantil ao médio.
Os 4 pilares diante de um ativo que ninguém nasce sabendo entender
Sonhar. Antes de perguntar em que investir, o aluno precisa saber para que está guardando. Quem nomeia um objetivo próprio decide com outro critério do que quem só quer “não ficar de fora” de uma alta recente.
Fazer. É aqui que entra o simulador de investimentos da FORME: um espaço onde o aluno testa cenários, entende o que é diversificação e sente na prática o que significa um ativo subir 40% num mês e cair 30% no seguinte, sem nenhum real de verdade em risco. Errar ali custa uma lição. Errar depois, com o próprio salário, custa dinheiro real.
Cuidar. A pausa entre ver a notícia de alta e apertar o botão de compra é justamente o que falta na maioria das decisões financeiras precipitadas. Autorregulação diante da volatilidade não nasce pronta, se treina. E se treina melhor antes dos dezoito anos do que depois do primeiro prejuízo.
Multiplicar. Entender que crescimento real acontece ao longo do tempo, com constância, é o antídoto direto para o arrependimento de “não ter entrado antes”. Quem aprendeu a pensar em anos, e não em semanas, decide com menos ansiedade e menos impulso.
Uma conversa que ainda dá tempo de ter
Nenhuma das duas pesquisas trata de crianças ou adolescentes diretamente. Tratam de adultos jovens, muitos deles ex-alunos de uma escola que, em algum momento, teve a chance de formar esse repertório e talvez não tenha usado.
A missão da FORME é desenvolver crianças e adolescentes financeiramente estáveis, capazes de planejar e conquistar metas e sonhos. Isso inclui saber lidar com um mercado que vai continuar oferecendo atalhos fáceis, a um toque de distância, para quem ainda não teve a chance de aprender a pausar antes de decidir.
Educar para transformar.
