Educação financeira vai deixar de ser recomendação da BNCC para virar exigência da LDB: sua escola já está pronta para essa cobrança?

Até agora, ensinar educação financeira na escola era uma boa ideia. Estava na BNCC desde 2020, mas como diretriz. Um caminho sugerido, não uma obrigação com consequência.

Isso está prestes a mudar.

Na semana passada, uma reportagem do Correio Braziliense trouxe um detalhe que costuma passar batido no meio de tanta notícia sobre projeto de lei tramitando: a diferença entre o que é uma diretriz e o que é uma lei de verdade. E essa diferença muda tudo para quem administra uma escola.

O PL que já passou pelo Senado, mas o que interessa não é o Senado

O Projeto de Lei 2.979/2023 já foi aprovado pelo Senado no dia 15 de julho e agora aguarda análise da Câmara dos Deputados. Ele inclui a educação financeira como componente curricular obrigatório, de forma transversal, no fundamental e no médio.

Até aqui, nada muito novo: a tramitação desse tipo de projeto já vem sendo acompanhada há meses. O ponto que merece atenção de verdade é outro, e ele foi bem explicado por Lucy Barbosa, planejadora financeira da VLG Investimentos, na mesma reportagem.

BNCC indica. LDB exige.

A BNCC funciona como uma bússola. Ela aponta um caminho, orienta o que e como as escolas deveriam trabalhar, mas não tem força coercitiva própria. Cada rede, cada instituição, decide o quanto vai levar a sério.

A LDB é outra categoria de documento. Ela organiza e regulamenta todo o sistema educacional brasileiro, e tem força de lei. Se o PL for sancionado, a educação financeira deixa de ser sugestão e passa a fazer parte da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

Na prática, como resume a especialista: “o que era indicação passa a ser obrigação legal”. Órgãos de fiscalização passam a ter respaldo jurídico para cobrar a aplicação da matéria. As redes de ensino passam a ter responsabilidade formal sobre isso. O que hoje é recomendado entra na esfera do exigível.

Para uma escola que já trata o tema com seriedade, isso muda pouco. Para uma escola que ainda vê a educação financeira como um projeto pontual de outubro, para casar com a Semana do Dinheiro, essa mudança de status é um sinal de que o tempo de adiar está acabando.

O risco de esperar a lei “pegar” para agir

A própria especialista consultada pela reportagem faz uma ressalva importante: a experiência de outras leis educacionais no Brasil mostra que existe uma distância entre a obrigatoriedade no papel e a efetividade na prática. Essa distância costuma ser preenchida, ou não, por dois fatores: capacitação docente e estrutura da escola.

É aqui que mora o risco real para quem gestiona uma instituição. Esperar a lei ser sancionada, esperar a rede publicar uma resolução, esperar alguém definir “como vai ser cobrado”, é assistir de fora enquanto outras escolas já estão anos à frente, com professor formado, material estruturado e um programa que os pais já reconhecem.

Uma pesquisa da Febraban com o Ipespe, de 2025, mostra que 55% dos brasileiros admitem entender pouco ou nada de educação financeira, mesmo reconhecendo que o tema é importante. Esse adulto que hoje se sente perdido com o próprio orçamento foi, até pouco tempo atrás, um aluno que nunca teve essa conversa estruturada na escola. A lei nova não resolve isso sozinha. Resolve a escola que já decidiu agir antes de ser cobrada.

Cumprir a lei no papel não é o mesmo que formar comportamento

Existe uma diferença enorme entre “ter educação financeira na grade” e formar, de fato, um aluno mais preparado para lidar com dinheiro. A primeira se resolve com uma apostila e uma aula avulsa por mês. A segunda exige uma jornada.

Na FORME, essa jornada é organizada em quatro pilares que caminham juntos do infantil ao médio: Sonhar, Fazer, Cuidar e Multiplicar. Sonhar dá ao aluno a clareza de uma meta que faz sentido para ele. Fazer transforma isso em prática concreta, com decisões reais e consequências reais, inclusive dentro do simulador de investimentos, onde o aluno testa cenários de acordo com o próprio perfil antes de arriscar dinheiro de verdade. Cuidar trabalha a autorregulação, a paciência, o não impulsivo. Multiplicar fecha o ciclo, mostrando que dinheiro bem cuidado cresce e sustenta sonhos maiores.

Uma escola que já opera dentro dessa lógica não precisa se preocupar com o que a lei vai exigir amanhã. Ela já está entregando isso hoje.

O que muda para quem dirige a escola, na prática

Se o PL 2.979/2023 for sancionado como está, a exigência formal deixa de ser hipótese. E toda mudança de exigível costuma vir acompanhada, cedo ou tarde, de cobrança de resultado, não só de intenção.

A missão da FORME sempre foi desenvolver crianças e adolescentes financeiramente estáveis, capazes de planejar e conquistar metas e sonhos. Isso nunca dependeu de uma lei para fazer sentido. Mas, quando a lei chegar, as escolas que já tiverem um programa estruturado, com material atualizado, assessoria pedagógica de verdade e acompanhamento contínuo, vão simplesmente continuar fazendo o que já faziam. As demais vão correr atrás.

A pergunta que fica para quem dirige uma escola não é mais “a lei vai passar?”. É: quando passar, sua instituição vai estar mostrando um programa consolidado, ou vai estar começando do zero, sob pressão e sob os olhos das famílias?

Educar para transformar não é uma frase para usar quando a lei obrigar. É uma escolha que algumas escolas já fizeram antes de precisar.